Hoje estou assim, vitima de uma sensação de abandono imensa.
Sinto que tudo e todos me abandonaram, que nada tenho na minha vida a não ser esta solidão e uma rotina que temo manter.
Porque a mantenho?
Porque faço estes sacrifícios?
Porque me deito todos os dias às 22h00 e me levanto todos os dias ás 5h30 para ir ao ginásio?
Chamam-me "doida", dizem "não acredito que fazes isso", alguns elogiam a minha força de vontade, esta disciplina que aplico todos os dias. Outros dizem-me que não tenho vida social, que não saio e convivo com eles.
Para todos tenho resposta, seja o "não sou nada, é apenas hábito" ou o "Se não vou de manhã já não meto lá os pés e tenho de ir, passo muito tempo sentada durante o dia". Para este últimos, têm razão em parte do que dizem, realmente não saio muito durante a semana e deito-me muito cedo comparativamente mas sejamos sinceros, mesmo que me deixa-se mais tarde não iria sair durante a semana. Quanto muito ir ao cinema, coisa que faço na mesma hoje em dia, e não mais que isso.
Não percebo a necessidade de todos te dizerem como deves viver, o que deves fazer, onde ir e quando ir. Todos temos as nossas vidas, as nossas rotinas, os nossos gostos. Porque me recriminam por ter os meus? Porque me atiram à cara que eu não avisei que ia ao ginásio de manhã? Já o faço a mais de um ano, sempre disse isso.
Mas são águas passadas, são daquelas conversas que ficam na memoria, escondidas num recanto da mente e de repente aparecem nem sabemos porque.
Temos um habito no trabalho, lançar cartas de tarot. Não o queria fazer por duas razões: não gosto de falar de mim e não gosto que saibam mais sobre mim do que eu digo. Mas concordei, foram lançadas e elas ficaram a conhecer coisas que eu não queria contar.
Decisões! É o que rege a minha vida, decisões sobre tudo e nada, sobre ir ou vir, sobre ficar ou partir. Tudo nas leituras aponta para insegurança, não acreditar em mim, demasiadas preocupações e decisões a tomar.
Não deixa de ser verdade, tenho tudo isso e muito mais. Tenho preguiça, tenho falta de vontade, tenho um medo terrível de arriscar, de viver, de ... de tudo. Posso não os mostrar mas tenho medo, muito medo de falhar, de não conseguir, de sofrer... Todos temos certo?
E isto leva-nos ao titulo deste texto, "Sinto uma profunda solidão". Sinto uma dor no coração, uma sensação de abandono, de estar sozinha no mundo, sem ninguém e isso não é verdade, tenho a minha família, tenho os meus amigos mas não deixo de me sentir assim: sozinha, abandonada, deixada de parte, desligada de tudo...
Conhecem algo do género "como é possível estar rodeada de gente e sentir-me tão sozinha?"
É o meu dia-a-dia...
1 comentário:
Não sei como começar este comentário... Primeiro porque queria falar contigo pessoalmente, segundo porque tenho pena de ler isto aqui e de não seres capaz de me pedir para te ouvir a queixar da vida, ou mesmo para me dizeres "Para com isso! Eu faço o que quero da minha vida e tu não tens nada a ver com isso.." Em grande parte é verdade. Eu não tenho nada a ver com isso, apenas tenho porque somos amigas e eu adoro-te como és. Se às vezes reforço que devias ter mais vida social é porque gosto de estar contigo e de partilhar a minha vida contigo. Se às vezes critico o facto de ires ao ginásio, pensando agora racionalmente, prende-se com duas situações: nº1 porque isso significa que estares ocupada depois do trabalho porque te deitas cedo e nº2 (a razão mais feia de admitir) é não ter a tua força de vontade e coragem para fazer o mesmo! Eu sei perfeitamente o que sentes. Sinto a solidão, por vezes, até mais do que uma vez por semana.. Mas já aceitei o facto de ser uma montanha russa, que tão depressa sou insuportável porque estou lá em cima como tão depressa estou lá em baixo..
Hoje fiquei irritada contigo. Mandaste-me uma mensagem intrigante e depois não me atendeste o telefone e até o desligaste para ver se eu não te chateava. Sei que consigo ser a pior amiga do mundo quando quero, sei que muitas vezes insisto em coisas que rodam simplesmente o meu umbigo. Desculpa-me por isso! Mas acima de tudo sou tua amiga. Quero fazer parte da tua vida e quero que faças parte da minha! Para mim sempre foste a minha fortaleza, sempre foste a pessoa a quem recorrer quando tenho uma dúvida. Tu és aquela pessoa que dão-te algo para fazer e não tens medo, ou se o tens não demonstras e avanças. Eu antes de avançar, se avançar, chateio todos à minha volta à procura de conforto e segurança.
Não gosto que te sintas assim e não quero que te sintas assim. Mas isso, por muito que eu tente, não depende de mim. Eu não consigo.. Eu tento apoiar-te, mas tu não falas.. Eu tento falar contigo, mas tu não desvendas nada. Adoro que me oiças, mas sabes que podes falar comigo, já to disse muitas vezes. Mas hoje depois de ler isto, chego à conclusão que não consigo dar-te a amizade que tu queres, porque eu não consigo ignorar-te. E confesso que por muito que tente, ainda fico triste quando não me ligas, quando não dás sinal de vida! Não posso ser sempre eu a chatear-te.. Tenho medo que isso culmine no fim da nossa amizade e crie progressivamente o nosso afastamento. Uma vez, numa das nossas discussões (minha) / conversa (tua), eu disse-te “Não sou capaz de deixar de me preocupar contigo, porra, sou tua amiga. Os amigos servem para isso para se preocuparem!!” Lembras-te o que me respondeste?! Ainda cá estou… *****
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